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© Foto: Mauro Pimentel/AFP/Getty
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Um novo boletim sobre as vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho
foi divulgado por volta das 10h30 desta segunda-feira, 28. De acordo
com o levantamento, o número de mortos subiu para 60, dos quais 19 foram
identificados.
O balanço informa ainda que há 292 pessoas
desaparecidas e 382 pessoas foram localizadas. Até o momento, 192
pessoas foram resgatadas.
"As chances de encontrar sobreviventes são mínimas, em razão da lama
que ocupa todo o espaço, mas equipes de resgate trabalham com todas as
possibilidades", disse em entrevista coletiva na manhã desta
segunda-feira, 28, o Tenente Pedro Aihara, do Corpo de Bombeiros de
Minas Gerais.
Ainda segundo ele, equipamentos tecnológicos
israelenses que detectam sinal de aparelho celular e sonares serão
utilizados para ajudar nas buscas por vítimas. Ele reforça que essa é
uma 'operação de guerra', diferente de situações que envolvem
desabamentos, por exemplo. No entanto, como muitos celulares já devem
estar desligados, o auxílio fica ainda mais difícil.
Os aparelhos
detectam pela sensibilidade um material de lama e um corpo humano e
também detectam o sinal de celular. Também estão em uso câmeras termais e
drones.
Os militares de Israel começam a trabalhar a partir
desta segunda-feira, mas ainda não se sabe quanto tempo ficarão no
terreno, diz o porta-voz dos bombeiros.
"Trabalho é meticuloso,
porque quando a gente consegue abrir acesso no meio da lama, a gente tem
que estabilizar todo esse acesso com tapumes, com estrutura, fazer
escoramento para que a gente consiga acessar. Caso contrário, no momento
que estamos acessando, ela (lama) invade nosso acesso e não possibilita
o trabalho, por isso, é bastante demorado", destacou Aihara.
O
trabalho das forças de Israel será dividido por áreas. Israel trabalha
coordenado com o Corpo de Bombeiros, uma equipe conjunta, principalmente
na área administrativa perto do refeitório. Abaixo do pontilhão,
somente atuam as forças brasileiras. Ainda não está definido o tempo que
os militares de Israel permanecerão no Brasil. "Ao todo, são 136
militares israelenses, somados aos 280 bombeiros militares brasileiros,
além do corpo de resposta composto por outros órgãos", detalhou o
tenente.
Sobre a atuação de voluntários, Aihara ressalta que
animais foram retirados com o apoio deles, mas a atuação é específica e
depende de necessidade e orientação. Para que a ajuda não acabe
atrapalhando o trabalho das autoridades.
O monitoramento à barragem ocorre em tempo real. Não há risco de rompimento, no momento.
Entenda a tragédia
A
barragem da mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale, localizada em
Brumadinho, se rompeu na tarde de sexta-feira, 25, deixando mortos, feridos e desaparecidos.
A
onda de rejeitos de minério de ferro atingiu a área administrativa da
empresa e a comunidade da Vila Ferteco. O rompimento ocorreu na Barragem
1, que foi construída em 1976 e tem volume de 12,7 milhões de m³.
Segundo a Vale, a barragem tinha encerrado as atividades há cerca de
três anos, pois o beneficiamento do minério na unidade é feito à seco.
Vítimas
No dia do desastre, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, disse que os funcionários seriam os mais afetados.
Ele informou que cerca de 300 funcionários estavam no prédio
administrativo e no restaurante da empresa, mas que 100 já tinham feito
contato.
A primeira vítima identificada foi a médica do trabalho Marcelle Porto Cangussu, de 35 anos. Ela trabalhava na Vale desde 2015.
Causas
Ainda
não se sabe o que causou o rompimento da barreira. Uma vistoria
realizada em dezembro não apontou problemas em sua estrutura e a
barragem era considerada de "risco baixo".
Ajuda de Israel
Um
grupo formado por 136 militares israelenses vai auxiliar nas buscas por
vítimas do desastre. Especializada em resgate durante catástrofes com
uso de sonares a equipe vai trazer material eletrônico e de escavação.
Cães farejadores também acompanham o grupo.
Bloqueio
A
Justiça já decretou bloqueios de R$ 11 bilhões da Vale. Na própria
sexta-feira, 25, dia do rompimento da barragem, o juiz de plantão da
Vara de Fazenda Pública de Belo Horizonte, Renan Carreira Machado,
determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão nas contas da Vale. A decisão foi
concedida em tutela de urgência em resposta a uma ação do governo de
Estadual de Minas Gerais, que havia acionado a Vale, pedindo sua
responsabilização pelo desastre.
Depois, a Justiça mineira
decretou um bloqueio de R$ 5 bilhões para a reparação de danos
ambientais pelo rompimento da barragem. Neste domingo, a Justiça mineira
deferiu liminar determinando um novo bloqueio de mais R$ 5 bilhões da
mineradora para garantir a reparação dos danos às pessoas atingidas no
município após o desastre.
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