O consumo de álcool cotidiano, mesmo que
seja apenas um copo de vinho ou cerveja, é um risco para a saúde, de
acordo com um estudo publicado nesta sexta-feira 24 pela revista The
Lancet. O álcool mata cerca de 3 milhões de indivíduos por ano no mundo,
isto é, um a cada três consumidores de bebidas alcoólicas.
No total, 2,2% de mulheres e 6,8% de
homens morrem por causa de complicações ligadas ao consumo do álcool
anualmente – a pesquisa da revista The Lancet, inclusive, propõe a
campanha do “zero álcool”. Em 2016, o produto foi o sétimo fator de
risco de morte prematura e invalidez no mundo e a principal causa de
falecimento entre consumidores de 15 e 49 anos, provocando acidentes nas
rodovias, suicídios, tuberculose, entre outros efeitos.
O hábito de beber um copo por dia
durante o ano não para de aumentar entre os consumidores com mais de 15
anos, que passam a integrar as estatísticas de indivíduos com risco de
desenvolverem um dos 23 problemas ligados ao álcool, como um câncer,
doenças cardiovasculares, AVC ou cirrose.
Pesquisa descarta teoria de que vinho seria benéfico para a saúde.
A pesquisa da revista The Lancet
contradiz, sobretudo, teses recentes de que beber um ou dois copos por
dia seria bom para a saúde, reforçadas pelo presidente francês Emmanuel
Macron.
“Eu bebo vinho à tarde e à noite. Os
jovens se embriagam num ritmo acelerado com bebidas fortes ou com a
cerveja, mas isso não vale para o vinho”, disse no Salão da Agricultura.
“O vinho faz parte de nossa cultura, de nossa tradição, de nossa
identidade nacional. Ele não é nosso inimigo.”
Para o chefe de Estado, portanto, tudo
não passa de uma questão de nível de consumo. Mas Emmanuela Gakidou,
pesquisadora da Universidade de Washignton e co-autora do estudo, afirma
que “a ideia de que um ou dois copos fazem bem não passa de um mito” e
ressalta que somente a taxa de “zero álcool” reduziria o risco global
das doenças.
Beber um copo por dia aumenta a taxa de
mortalidade no mundo em 100 mil vítimas anualmente, de acordo com
Gakidou. Em média, os homens da Romênia, de Portugal e de Luxemburgo são
os que mais bebem diariamente. No caso das mulheres, a situação se
repete na Ucrânia, em Andorra e em Luxemburgo.
Na França, o consumo masculino é de 4,9
copos todos os dias e o feminino de 2,9. O estudo foi publicado ao mesmo
tempo em que o ministério da Agricultura francês anunciou uma alta de
25% na produção de vinho no país em 2018, em comparação com o ano
anterior, chegando a 46,1 milhões de hectolitros.
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Saúde
