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| © SAÚDE é Vital A colangite biliar primária afeta o fígado de mais ou menos 30 mil brasileiros |
Uma fadiga crônica, que insiste em não ir embora sem
motivo aparente, e uma coceira chata, principalmente na palma das mãos e
na sola dos pés. Estão aí os principais sintomas da colangite biliar primária, doença autoimune que afeta o fígado e que ganhou destaque recentemente pela possível incorporação de um medicamento contra ela no sistema público.
Falaremos mais pra frente do tratamento. Antes, é importante compreender esse problema.
O que é colangite biliar primária
O
fígado possui os chamados dutos biliares, que transportam a bile
produzida ali para o intestino, onde participará da digestão dos
alimentos. “Na colangite biliar primária, por algum motivo as células de
defesa atacam esses canais, o que leva a um processo inflamatório”,
explica o médico Paulo Bitencourt, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia.
Por
causa da agressão do próprio organismo, a bile não escoa como deveria.
Aí, há um acúmulo de substâncias tóxicas na região. “Com o tempo, elas
levam à fibrose no fígado e, posteriormente, à cirrose”, diz Bitencourt.
Ou
seja, a colangite biliar primária é uma enfermidade autoimune que pode
comprometer o funcionamento desse órgão e exigir até transplante.
Estima-se que 30 mil brasileiros sofram com ela, a maioria mulheres a
partir dos 35 anos.
Os sintomas e o diagnóstico
Como a hepatite C,
a colangite biliar primária não manifesta sinais claros no início. Os
primeiros indícios físicos costumam ser uma coceira frequente,
especialmente na palma da mão e na sola do pé, e o cansaço crônico.
Às vezes, esses sintomas somem após um tempo. Conforme o fígado é
destruído, surgem manifestações como pele e olhos amarelados
(icterícia), inchaço da barriga e dor abdominal.
Esse transtorno é associado a um maior risco de outras doenças autoimunes. A pessoa não raro sofre com alterações na tireoide, artrite reumatoide, xerostomia (boca seca)… Ao detectar essas encrencas, o médico pode investigar também a presença da colangite biliar primária.
E
como ele faz isso? “A princípio, com dois exames de sangue muito usados
para analisar a função hepática”, revela Bitencourt. São os testes de
fosfatase alcalina e de Gama GT, comuns em checkups.
Caso eles
acusem algo suspeito, o profissional pede avaliações sanguíneas
complementares, associadas a exames de imagem para verificar o estado do
fígado. Por ser uma doença rara, muitas vezes o indivíduo demora até
uma década para descobri-la.
O tratamento
É aqui que reside a maior discussão do momento no Brasil. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) abriu uma consulta para que todos deem suas opiniões sobre a inclusão do remédio ácido ursodesoxicólico na rede pública.
A consulta fica aberta até o dia 23 de agosto. Por enquanto, a recomendação preliminar da Conitec é não incorporar o medicamento.
Segundo ela, o nível de evidência dos benefícios e o grau de
recomendação são baixos – ou seja, seriam necessárias mais pesquisas
para atestar o real poder da droga em questão. Além disso, o custo dessa
medida aos cofres do governo seria de 11,77 milhões de reais no
primeiro ano.
O médico Paulo Bitencourt faz ponderações sobre a
alegação de que faltam estudos confiáveis: “Acompanhar um grande número
de pacientes por um longo período de tempo é um processo complicado
quando se fala de uma doença rara. Mas temos levantamentos que mostram
benefícios e prova disso é que as autoridades dos Estados Unidos e da
Europa oferecem o ácido ursodesoxicólico à população”.
Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),
que aprova a comercialização de remédios no Brasil com base em sua
segurança e eficácia, autorizou a venda desse fármaco faz algum tempo
já. Até por isso, ele está disponível nas farmácias – só não de graça,
claro.
De qualquer forma, o ácido ursodesoxicólico parece frear a
progressão da colangite biliar primária por reduzir a inflamação no
fígado. Segundo Bitencourt, seu uso foi associado a uma menor
necessidade de transplantes hepáticos.
Os profissionais também
podem recorrer a comprimidos que controlam a cirrose, por exemplo. E,
como já dissemos, eventualmente optam pelo transplante.
No mais, o tratamento envolve o controle de problemas associados à colangite biliar primária, como a osteoporose, e o manejo dos sintomas que já mencionamos.
Com um bom atendimento, a vida desses pacientes pode melhorar bastante.
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Tags:
Saúde
